Virada Cultural 2009

Quando me perguntam o que eu mais gosto em São Paulo, é difícil escolher uma coisa só. Mas a primeira que vem à cabeça, pela carga emocional que carrega, sem dúvida é o cenário artístico-cultural.

A Virada Cultural foi uma belíssima ideia: organizar uma programação cultural de 24 horas ininterruptas, pela cidade toda, unindo todos centros culturais, concentrando os shows (que acabam sendo a principal atração) no centro velho da cidade -lindo e decadente-, isso é que é democratizar a cultura.

Estou vendo pela internet, ao vivo em streaming, o show do Zeca Baleiro no palco São João. Na plateia, prestigiando o artista, outra artista, Zelia Duncan. No conforto do meu lar, consigo ver tudo. Claro que não substitui o bom e velho som ao vivo, mas tudo tem seus prós e contras: ontem fui ao mesmo palco São João, ver Jon Lord, tecladista do Deep Purple, tocando com uma orquestra, e no fim só consegui ouvir. Além do espaço muito estreito, montaram um corredor para o staff dividindo a avenida da praça, e quem quisesse ficar na linha do palco tinha que dar uma volta enorme e atravessar a muvuca. Desencanei e fiquei onde dava para ouvir melhor. Show.

Shows de qualidade, outros nem tanto. Depois de Jon Lord, fui à República, assim como a rockeirada em peso, mas a banda não encantou. Conseguimos o mapa com a programação na base móvel da polícia e fomos para o Vale do Anhangabaú ver a Sopro Cia. de Dança, com dança moderna (ou seria contemporânea?), ao som de uma valsa de Tchaikosvky. Lindo. Ah, tinha bastante banheiro disponível.

Galera jovem, tiozões, tiazonas, tiazinhas, famílias pai-mãe-filho-filha, rockeiros, góticos, punks, travestis, reggaeiros, rodas de amigos, casais, gente sozinha, todo tipo de gente e todo mundo junto, por toda a parte. O comércio estava todo aberto, comi um pastel na praça Julio Mesquita e depois dei uma passada na Galeria Olido. A frente do Teatro Municipal estava linda e lotada para os show que iam acontecer lá dentro.

A transmissão ao vivo pelo site da TV Cultura está ótima também. Eu amo a virada cultural, amo São Paulo e amo a internet! Programa obrigatório todo ano, porque vale a pena.