O Sublime e a música ruim

“Já que quando um leitor culto, lendo e ouvindo várias vezes alguma coisa, não experimenta dentro de si nada de grande, nenhuma reflexão mais rica da percepção literal do discurso (…), então não se encontra dianto do verdadeiro Sublime, mas diante de algo que dura apenas o espaço de tempo daquilo que foi lido ou ouvido. Porque a verdadeira grandeza é aquela que enriquece os pensamentos, aquela que é difícil, ou melhor, impossível de contestar, aquela que nos deixa uma lembrança duradoura e indelével. Em suma, a Beleza autenticamente Sublime é aquela que agrada sempre a todos.”*

As palavras do autor alexandrino Pseudo-Longino (séc. I), que inspirou artistas como Gian Lorenzo Bernini a desenvolver a escola pictórica do Sublime no século XVII, explica porque músicos como Beatles, Led Zeppelin, Vinícius de Moraes, ficam para sempre, enquanto Valeska Popozuda, Latino, Justin Bieber serão lembrados enquanto existirem e aparecerem, mas não tendo deixado nada de realmente bom, quando não aparecerem mais, ninguém se lembrará.

Gian Lorenzo Bernini, David, 1624.

Gian Lorenzo Bernini, David, 1624.

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*”Giacché quando un lettore colto ed esperto, leggendo e ascoltando più volte qualcosa, non prova dentro nulla di grande, nessuna riflessione più ricca della percezione letterale del discorso (…), allora egli non si trova davanti al vero Sublime, ma davanti a qualcosa che dura solo lo spazio della lettura e dell’ascolto. Perché la vera grandezza è quella che arricchisce i pensieri, quella che è difficile anzi impossibile contestare, quella che ci lascia un ricordo duraturo e indelebile. Insomma la Bellezza autenticamente Sublime è quella che piace sempre a tutti.” Fonte: La Storia della Bellezza, Umberto Eco.