MAM – Museu Dançante

A curadoria do MAM-SP quer romper barreiras. E para isso entrou numa onda de experimentações à altura daquela dos museus de arte moderna americanos e europeus, propondo ao público projetos que às vezes nem mesmo eles sabem aonde vai dar.

No caso do projeto Museu Dançante, porém, o objetivo foi bem definido. “O museu que herdamos do século XIX é uma instituição que reprime fisicamente o seu público. O público que entra no museu se torna calado, as mãos para trás, as pessoas se fecham, se tornam introspectivas, (…) se sentem vigiadas e vigiam as outras pessoas”, começa explicando o curador Felipe Chaimovich para o canal Arte 1. A arte desse museu era uma arte de contemplação, admiração, observação, meditação. Não havia muito espaço para o corpo do visitante, apenas para os olhos e a mente.

A partir da segunda metade do século XX, a arte subverteu a relação física do público com a obra. Tocar, sentar, entrar, mudar, mexer, mover, passaram a ser ações permitidas dentro da exposição — apesar de obras feitas para manipular infelizmente terem sido relegadas a cubos de vidro por questões de preservação, como alguns Bichos de Lygia Clark.

O MAM quer atualizar essa relação física do público com o museu e para isso convidou a São Paulo Companhia de Dança para uma série de performances dentro do seu espaço. O curador acredita que essa interação entre bailarinos, obras e visitantes pode “ensinar ao museu um outro modo de o museu se relacionar fisicamente com seu público”. O público pode participar de todas as fases do processo, assistindo tanto aos ensaios e preparação quanto ao resultado final.

Chaimovich faz uma analogia da relação de repressão e libertação que existe entre o balé clássico e a dança contemporânea — o bailarino contemporâneo parte dos movimentos rígidos do balé clássico para deles libertar-se — e como essa relação pode libertar fisicamente o visitante. Essa libertação é essencial para a fruição tanto da exposição como um todo quanto de cada obra de arte individualmente.

Veja aqui a reportagem do Canal Arte 1.

Confira aqui a programação das performances.

Museu de Arte Moderna de São Paulo – Museu Dançante
27/jan a 21/jun/2015
Parque Ibirapuera, portão 3 – São Paulo SP
Tel +55 11 5085-1300
atendimento@mam.org.br
Horário: ter – dom, 10h – 18h. Bilheteria até 17h30.
R$6,00. Grátis aos domingos.

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