Beauty, a animação de Rino Stefano Tagliaferro

Beauty, a animação de Rino Stefano Tagliaferro

“A beleza é cantada, representada e descrita desde a antiguidade como o instante fugidio da felicidade e da plenitude da vida inesgotável, desde o início destinada a um epílogo trágico e salvífico.
Nesta interpretação de Rino Stefano Tagliafierro, a beleza está na força expressiva de um gesto que ele libera da imobilidade do quadro e do museu, animando um sentimento. Como se naquelas imagens que a história da arte nos deixou, estivesse congelado um movimento que hoje é possível revitalizar, graças às tecnologias digitais.
Uma série bem selecionada de imagens da mais bela tradição pictórica (do renascimento ao simbolismo, passando pelo maneirismo, romantismo e neoclassicismo), reunidas de maneira a percorrer o sentimento que existe sob o véu das aparências. Uma inspiração que mostra o quanto a existência é efêmera.
Na interpretação do autor, a beleza é a companheira silenciosa da vida, que inexoravelmente vai do sorriso do menino, através do êxtase erótico, à expressão de dor que fecha um ciclo destinado a repetir-se ao infinito.
Significativos, deste ponto de vista, são uma alvorada romântica de um céu em que voam pássaros negros e o final do poente romântico com ruínas góticas que encerram a obra do tempo que corre.”

A apresentação poética de Giuliano Corti (da qual fiz uma versão livre em português) sobre esta animação traz um pouco do universo imenso que existe por trás de cada obra de arte dos grandes mestres. São obras que requerem muito mais do que um olhar e uma sensação, muito mais do que um “gosto” e “não gosto”. Imagens carregadas de significados, muitas vezes de simbologias, e sobretudo cheias de detalhes, motivo pelo qual cada uma delas mereceria ser observada e comentada por bem mais que alguns minutos.

A animação de Rino Stefano Tagliafierro pode parecer uma heresia para os mais xiitas nesse campo, mas a meu ver é um instrumento para um excelente exercício de observação, mais do que uma ode à beleza. Seja uma obra conhecida como uma vista pela primeira vez, observar o quadro com pequenos movimentos estimula a percepção de detalhes que poderiam passar despercebidos (e passam, para 99% das pessoas).

Observar obras de arte requer paciência, humildade, interesse, esforço. O imediatismo e a pressa são inimigos diretos dos estudos nesse campo.

Recomendo assistir ao vídeo em tela grande aqui.

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