Mona Lisa: pequenas curiosidades

Mona Lisa: pequenas curiosidades

Muita gente se pergunta, e me pergunta: o que diabos está por trás da Mona Lisa? Por que é tão especial? Como um simples retrato pintado, gênero comuníssimo da Antiguidade até o surgimento da fotografia, se transformou na obra de arte mais conhecida, comentada, divulgada, copiada, estudada, polemizada, reproduzida, satirizada, etc. etc. etcetera ?

Bom, eu não tenho todas as respostas, mas posso compartilhar algumas curiosidades com vocês.

O mito da Monalisa foi se construindo ao longo do tempo. Não é a melhor obra de arte já feita, não é o retrato pintado mais excepcional da história da arte: a sua fama é muito mais simbólica do que técnica; não que a inovação técnica seja irrelevante – o sfumato, a composição do quadro, o uso das cores – , mas acabou tornando-se secundária. Seria um retrato de uma jovem ou um autorretrato? Quem seria a jovem? Leonardo teria mesmo escondido códigos com mensagens secretas no quadro? São fatos e lendas que constroem um mito, e quanto menos se sabe, mais se imagina.

Quem
Os historiadores estão convencidos que se trate de Lisa Gherardini, esposa de um rico comerciante de Florença entre o final do século XV e início do XVI, Francesco del Giocondo. É daí que vêm os nomes pelos quais a pintura é conhecida, “La Gioconda” e “Mona Lisa” (Monna é a palavra em italiano arcaico para “senhora”, enquanto para “senhor” se usava Messer).

Onde
A obra foi pintada em Florença entre 1503 e 1506 e, apesar de ter sido encomendada, Leonardo nunca a entregou. Levou consigo para a França quando foi para a corte de Francisco I em 1506, onde ficou exposta no Palácio di Fontainebleau e depois em Versalhes.

Hoje está no Louvre e é uma das principais atrações. Há alguns anos a Itália tenta trazer a obra para participar de exposições temporárias (em 2013 se completarão 100 anos desde que foi reencontrada após um roubo em 1911, e acontecerão algumas comemorações), mas sem sucesso.

É talvez a obra de arte mais bem protegida de um museu: um painel de vidro anti-balas, um balcão de madeira fixo que separa o público em uns 2 metros, e faixas flexíveis (como aquelas de fila de banco) que dão mais espaço ainda. Ah, e seguranças. Pelo menos dois.

Pintor ou gênio
A pintura se tornou tão famosa que superou a fama do seu autor. Leonardo da Vinci tinha inúmeras habilidades, que iam muito além da pintura: era engenheiro e inventor, um curioso nato, ávido por entender como funcionavam os mecanismos da natureza e reproduzi-los nas próprias construções, que iam de máquinas de guerra a engenhocas para voar.

As técnicas aplicadas na Gioconda foram inovativas e influenciaram gerações, mas Leonardo também tinha pontos fracos. A famosa Última Ceia, obra de Leonardo na parede da igreja Santa Maria delle Grazie em Milão, é o resultado de uma experiência malsucedida. Ele não usou a tradicional técnica do afresco (quando a tinta é aplicada em uma fina camada de gesso conservando a coloração por muito mais tempo) mas pintou diretamente sobre a parede. Hoje a pintura está em péssimas condições de conservação, longe do alcance das técnicas atuais de restauro.

As escavações
O que está acontecendo neste exato instante são as escavações para encontrar a ossada de Lisa Gherardini no prédio do antigo convento de Sant’Úrsula (Sant’Orsola), em Florença, onde dona Lisa viveu no fim de sua vida. Essas escavações já geraram muita discussão, pelo tempo e dinheiro que demandam para uma descoberta supostamente não tão importante, afinal descobrir se ela de fato morreu ali não vai confirmar definitivamente se era ela a modelo para o famoso quadro. Na verdade não vai confirmar nada além de… que a ossada é dela.

Tá, e daí?
Ciências humanas é isso aí, não tem certo ou errado, bom ou ruim. Tudo isso acaba causando um efeito bem comum em quem visita a Gioconda pela primeira vez: decepção. Ora, tudo isso por uma pintura? Bom, sim. A obra já foi roubada e já sofreu atentados. E, você aprecie ou não, goste ou não do estilo, concorde ou discorde de tanta fama, uma coisa é indiscutível: a pintura é um patrimônio histórico.

A mensagem que vale é: não olhar uma obra de arte só do ponto de vista estético; se for a Paris, vá ao Louvre e vá ver a Mona Lisa; não espere ter uma epifania ou uma visão divina, mas vá. Depois vire 180 graus e delicie-se com o As Bodas de Caná de Paolo Veronese, essa sim uma pintura literalmente monumental.

Exterior do ex-convento di Sant'Úrsula em Florença

Mona Lisa à primeira vista

Mona Lisa de "perto"

One Comment

  1. Giovane Albertini Mendonça
    26/02/2015 @ 2:02 pm

    essa não é a verdadeira Mona Lisa,a verdadeira Mona Lisa está em um cofre

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