Um demônio no afresco de Giotto em Assis

Um demônio no afresco de Giotto em Assis

Detalhe no afresco da Basílica Superior em Assis, Itália.Está ali há oito séculos, em um dos ciclos pictóricos que assinalam o início da arte figurativa ocidental, mas ninguém tinha percebido: na vigésima cena da vida de São Francisco, atribuída a Giotto, na Basilica Superior de Assis, há o perfil de um demônio*, com dois chifres escuros, que emerge das nuvens entre a representação da morte de Francisco, na parte de baixo, e a assunção da sua alma ao céu. Quem o descobriu foi a historiadora Chiara Frugoni, grande especialista franciscana, que relata a descoberta em um artigo no próximo número da revista San Francesco Patrono d’Italia. “Até hoje — observa Frugoni — acreditava-se que o primo pintor que pensara em ilustrar as nuvens era Andrea Mantegna, que no seu São Sebastião, de 1460, representou ao fundo no céu um cavaleiro que emerge de uma nuvem. Agora, esta primazia não é mais tal”. Sobre por que Giotto possa ter pintado um demônio na nuvem, Frugoni lembra que na Idade Média acreditava-se que também no céu habitassem os demônios que impediam a subida das almas.

Traduzido do original: http://www.repubblica.it/spettacoli-e-cultura/2011/11/05/foto/assisi_un_demone_nell_affresco_di_giotto-24481077/1/?ref=HRESS-10

* A palavra demônio, que nós conhecemos principalmente na sua concepção cristã, tem origem na palavra grega dáimōn, que na mitologia grega eram criaturas intermediárias entre os mundos humano e divino.

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