Ruim demais para ser ignorada

Ruim demais para ser ignorada

"Mana Lisa", de A. Schmidt, Vancouver, Canada, óleo sobre tela

Em meados do século XIX, um grupo de artistas que tinham seus trabalhos recusados para o salão oficial de exposições da academia francesa de belas artes, a Académie Royale de Peinture et de Sculpture. Com trabalhos que iam contra os padrões acadêmicos, artistas como Edouard Manet, Paul Cézanne, Edgar Degas e Pierre-Auguste Renoir se cansaram das negativas e, fazendo parte de um grupo que incluía também o crítico de arte Émile Zola, passaram a fazer duras críticas aos padrões impostos pela Academia e foi criado o Salão dos Recusados. Inizialmente ridicularizadas, as obras de arte expostas passaram a marcar o início da arte moderna na história da arte.

Tudo isso para falar dessa bizarrice que descobri: o MOBA, Museum of Bad Art, um museu para expor obras de “arte ruim demais para ser ignorada”. De fato, os trabalhos são horrorosos, mas me fez pensar sobre toda aquela discussão já bem batida (mas sempre atual) sobre o que é arte. Afinal, muita coisa que já foi considerada horrorosa, ridicularizada, rejeitada, depois se tornou clássico, rompeu barreiras e caiu no gosto dos críticos. Mais além, muita coisa que a crítica de hoje considera boa, para a maior parte do público continua sendo um desastre.

E aí? Será que alguma obra um dia vai sair do MOBA e ir parar no MoMA?

Veja aqui mais imagens

www.museumofbadart.org

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2 Comments

  1. Alessio
    23/08/2011 @ 10:33 pm

    Molto interessante! Questo è un caso di relativismo, nel senso che i punti di vista mutano nel tempo, e credo che non abbia senso giudicare in modo perentorio che un’opera è orrenda e basta. Hai fatto un esempio brillante, gli Impressionisti, e poi le Avanguardie di inizio ‘900, ai loro tempi erano linguaggi artistici non ancora compresi e apprezzati, è assurdo il fatto che ad esempio il Nazismo considerasse l’arte moderna un’arte degenerata! Penso che la gente abbia una forte diffidenza verso l’arte contemporanea, ma dobbiamo capire che molti linguaggi non si possono capire nell’immediato, e sopratutto il gusto dei critici e dei fruitori dell’arte cambia da epoca ad epoca, è assolutamente mutevole! Quindi dovremmo smettere di etichettare tutto, alcune opere, che ci possono sembrare orribili, hanno un messaggio, ha la sua dignità perché vuol farci riflettere su qualcosa, o provocarci. La bellezza non è l’unico mezzo per colpirci, in questi ultimi tempi i filosofi hanno scritto sulla poetica del brutto. Conclusione: non affrettiamoci a stroncare un’opera! Il tempo può darci ragione o torno, forse nel 3000 un paio di infradito scolorite di Hello Kitty saranno esposti in una teca come l’apice dell’arte del lontano XXI secolo! Salve!

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    • andrearonqui
      23/08/2011 @ 11:01 pm

      Vou traduzir o comentário do Alessio, que estuda comigo e se forma em breve, e vale a pena ler do ponto de vista de um historiador da arte:
      “Muito interessante! Este é um caso de relativismo, no sentido de que os pontos de vista mudam com o tempo, e acredito que não faça sentido julgar de modo peremptório que uma obra é horrenda e só. Você deu um exemplo brilhante, os Impressionistas, e depois as vanguardas do início do século XX, que no seu tempo eram linguagens artísticas ainda não compreendidas e apreciadas, é absurdo por exemplo que o Nazismo considerasse a arte moderna como uma arte degenerada! Acho que as pessoas tenham muita desconfiança perante a arte contemporânea, mas temos que entender que muitas linguagens não podem ser entendidas de imediato, principalmente o gosto dos críticos muda de tempos em tempos, é absolutamente mutável! Então temos que parar de etiquetar tudo, algumas obras que possam parecer horríveis têm uma mensagem, têm a sua dignidade, porque querem nos fazer refletir sobre alguma coisa, ou nos provocar. A beleza não é o único meio para nos impressionar, nos últimos tempos os filósofos têm escrito sobre a poética do feio. Conclusão: não vamos nos apressar a avacalhar uma obra! O tempo pode dizer se estamos certos ou errados, talvez no ano 3000 um par de chinelos desbotados da Hello Kitty serão expostos como o ápice da arte do longínquo século XXI! Até!”

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