O empréstimo da Monalisa

O empréstimo da Monalisa

Vejam que interessante debate está acontecendo no mundo da arte. Há alguns dias a Itália estava esperando resposta do Louvre para un pedido de empréstimo — ainda não-oficial — da Monalisa de Leonardo da Vinci para participar da comemoração dos 100 anos da localização da obra após um roubo.

O Louvre alega que o quadro é muito frágil e não haveria condições adequadas de transporte, temperatura, etc., para garantir o perfeito estado da obra de arte. Eles não negam também que a Gioconda é não raro o principal interesse dos turistas que visitam o Louvre pela primeira vez. E, de fato, não tem ninguém que eu conheça que não tenha tido que enfrentar uma pequena multidão na frente da obra de Leonardo para observá-la, além da proteção de vidro, a separação do público a uns 3 metros de distância e um segurança de cada lado.

Esse debate traz à tona outro tema muito discutido, referente ao retorno das obras de arte ao seu lugar de origem: a Monalisa a Florença, as estátuas do Partenon (e tantas outras) à Grécia e por aí vai, e é inegável que nessa brincadeira o Louvre e o British Museum sofreriam um empobrecimento incalculável. Mas há que se considerar também o sentimento de posse das pátrias-mãe de seus célebres autores, principalmente se se pensa na maneira como as suas obras foram parar em terras estrangeiras.

Embora a mídia italiana não tenha falado nessa outra questão, durante a espera da resposta do Louvre, me parece que lá no fundo do desapontamento italiano fica uma pontinha de bronca, um inevitável “quem eles pensam que são, se foi a Itália que fez o mestre que foi Leonardo, se ele era daqui, se a retratada Lisa Gherardini era daqui”.

Entendo esse sentimento, embora não tenha uma opinião formada sobre o retorno definitivo das obras às suas terras. No caso do empréstimo eu, que não sou italiana, achei mais acertada a decisão do Louvre, por duas razões: os especialistas dizem que é impossível reproduzir as condições de controle de temperatura e umidade que a conservam; e se eu, em uma eventual visita-única-da-vida ao Louvre, chegasse lá e não encontrasse a Monalisa, ficaria bem p. da vida, como acontece com frequência em outros museus com outras obras menos importantes.

Código de Bens Culturais
Mas o que torna o assunto mais interessante é que a Itália tem leis bem severas no que se refere ao empréstimo de obras de arte. Desde 2004 eles elaboraram um Código de Bens Culturais, com toda uma legislação que disciplina o controle, comércio e empréstimo de bens culturais, com uma cláusula que proíbe o empréstimo de uma obra se ela constituir parte vital de um museu ou galeria e se sua ausência causar o empobrecimento da coleção. Basicamente, o segundo “motivo” dado pelo Louvre. Não quer dizer nada, mas não deixa de ser interessante pensar no assunto.

O comitê especial italiano encarregado dos assuntos relacionados à obra, de qualquer forma, não desistiu e ainda continuar procurando uma solução para superar os motivos técnicos dados pelo museu francês.

La Gioconda
Após um roubo ao Louvre em 1911, a Monalisa ficou 2 anos desaparecida e foi reencontrada em Florença. À época ela ficou algum tempo exposta na cidade e retornou à sua casa francesa. Em 2013 a Itália vai comemorar os 100 anos da localização, e o mesmo comitê está realizando investigações e escavamentos arqueológicos para encontrar os supostos restos de Lisa Gherardini (esposa de Francesco del Giocondo), além de projetos para construir, no convento onde esta viveu os últimos anos de sua vida, um museu dedicato a Leonardo da Vinci.

A obra foi realizade entre 1503 e 1506, levada pelo próprio Leonardo à França, onde morreu. A obra foi exibida em Fontainebleau e no Palácio de Versailles. Após a Revolução Francesa passou a fazer parte da coleção do Louvre.

A Monalisa, um dos retratos mais famosos da arte.

E a multidão da Monalisa: isto é um dia normal no Louvre

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