Monet e o Impressionismo: a ruptura de 5 séculos

Seria um equívoco dizer que foi Claude Monet (1840-1926) o precursor do Impressionismo[bb], já que as idéias renovadoras do novo estilo já estavam sendo praticadas por Manet (1832-1883), Boudin (1824-1898) e Courbet (1819-1877), como a desconsideração pelos temas clássicos da Academia e a pintura ao ar livre. Estes pintores, inclusive, influenciaram diretamente a produção de Monet.

Porém, não diminui em nada a grande figura que foi esse francês e o papel fundamental que cumpriu na história da arte: ele tomou a dianteira da batalha que se tornou o mundo das artes naquele período quando, após uma lendária recusa por parte dos críticos de então, essas idéias caíram no gosto de vários outros pintores contemporâneos. E que, por isso, tornaram-se os principais de seu tempo.

Ruptura
Não à toa. Os ideais impressionistas romperam com a tradição acadêmica que já se mantinha no mesmo caminho desde o Trecento Renascentista, abrindo as portas para os movimentos seguintes, do fauvismo a Pollock. Não mais pintava-se de acordo com cânones, regras de representação pré-estabelecidas que se baseavam nos mestres precedentes (claro-escuro, perspectiva matemática, esquematização do espaço): agora, os artistas pintavam o que viam; eram fiéis a seus olhos e a suas impressões pessoais.

As técnicas
Não mais misturavam-se as tintas antes de aplicá-las, mas sim aplicavam-nas puras direto na tela para deixar que os olhos fizessem a composição. As pinceladas deixaram de ser contínuas.

A luz e a cor se tornaram o personagem principal: não importa se numa moça, num jardim ou num pôr-do-sol. Monet se valeu dos efeitos da luz natural sobre as paisagens para reproduzir o mesmo tema em variados momentos do dia, na tentativa de registrar o breve e único momento em que aquele espaço se apresentaria com aquelas cores[bb], aquele luminosidade. Assim, mostrou que mesmo o que parece estar parado pode estar mudança contínua, tal qual a própria vida. A sombra não precisa ser necessariamente negra, o tempo é só um instante que passa.

Os temas
Passaram a ser contemporâneos, cotidianos, dedicados aos pequenos prazeres. E, do ponto vista compositivo, outra inovação: o tema do quadro não precisa estar necessariamente no centro – influência das gravuras japonesas que os artistas dessa época descobriram. Aliás, às vezes o tema não está em uma porção específica do quadro: a pintura toda tem o mesmo valor.

“Impressionistas”
A exposição do quadro Impressão: nascer do sol provocou o sarcasmo dos críticos de arte. O jornalista Louis Leroy publicou uma crítica[bb] com o título “A Exibição dos Impressionistas”, comentando a exposição de 1974 de forma pejorativa. Os artistas gostaram de termo – e da polêmica.

Monet foi um grande experimentador até o fim dos seus dias. Foi inspiração pessoal de Renoir, Degas, Camille Pissarro, Émile Zola, e inpiração artística de centenas. Não foi apenas sua obra que deu identidade ao estilo chamado Impressionista, mas principalmente uma vida intensa como foi a sua, política e artisticamente.

Veja aqui imagens de Monet:
Google images
Artcyclopedia
Wikimedia Commons

(post atualizado)
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O que faz de um Monet um Monet? (Autor: Richard Muhlberger)

Linéia no Jardim de Monet (Autor: Christina Bjork)

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